Palavras difíceis nunca vão poder medir. Não cabe mais em mim. (Publicado com o Instagram)
Palavras difíceis nunca vão poder medir. Não cabe mais em mim. (Publicado com o Instagram)
Ele olhou para todo aquele verde ensolarado e frio, viu a imagem da nostalgia que se aproximava enquanto ele ofegava. Sentiu seu toque, seu cheiro extremamente igual: uma pitada de café, três gotas de malboro red e um leve toque de condicionador. Sua pele tinha a mesma temperatura de sempre e o mesmo tom áspero que ele sentia ao lembrar.
O reencontro não foi como esperado - embora tudo fosse extremamente familiar e aconchegante - mas no fundo ele sabia que nunca seria, todos os planos que ele fez em sua vida, quando posto em prática, saiam do curso, sempre perdiam as rédeas e tomavam seus próprios caminhos.
As palavras foram medidas, sempre afáveis, eles gostavam de brincar na beira do precipício, ali era mais seguro, estavam perto para acariciar as cicatrizes e fazer brincadeiras sobre um passado que estava mais presente do que gostariam de admitir.
Entre abraços e caricias seus dedos eram bisturis, mas era tangível o cheiro do masoquismo no ambiente o que deixavam as coisas se não tranquilas ao menos um pouco mais suportáveis. Era perceptível a vontade de estar ali.
A cada corte sentia suas forças se esvaindo aos poucos, e nesse momento pediu com tudo o que restava para não vacilar, deixou seus pensamentos vagos tomarem conta e tropeçou no precipício que achava seguro.
No caso um acerto não compensaria dois erros e nessa cilada não havia mais interpretações. O precipício era um vulcãozinho e com o coração aquecido, ele seguiu sua vida, pensando em um dia onde aqueles bisturis voltariam pro conforto de ser dedos.
Ele ainda não sabe o quanto falta para sofrer, desfez seu penteado,tirou o resto do cinto que havia começado a por, deitou-se na cama e pôs-se a chorar. A noticia não havia lhe feito bem.
Podia ser sensato e ficar ali, tentado curar o que sabia que não tinha remédio, mas sabia que não suportaria a presença do seu consciente martelando todas as verdades. Ele preferia se sentir sujo à sentir toda aquela dor de novo.
Tentou se jogar aos leões, mas no fim, será sempre ele e sua cama, ele e sua cama complexamente grande e solitária. E ele não suporta mais a solidão.
meu caro estranho, nossa estranheza nos levou à cama
e seguimos nos desconhecendo
não perguntei de onde vieram tuas cicatrizes
e não me perguntaste se eu já havia usado o cabelo mais curto
simplesmente nos beijamos e dispensamos todos os porquês
fui uma mulher qualquer e fostes mais um homem
e se esse descompromisso não merece ser chamado de amor
ainda assim não carece ser desfeito e esquecido
meu caro estranho,
mesmo nos amores não há nada muito além disso
É como se antes não estivéssemos sóbrios e agora, estamos cientes de tudo, sóbrios mas com as mãos atadas porque tudo o que aconteceu deixou uma bagunça sem tamanho….
Eu queria que alguém entrasse em minha vida como um pássaro que entra voando na cozinha e começa a quebrar as coisas, batendo em portas e janelas, deixando caos e destruição, e então nos conhecemos e é por isso que eu aceitei seus beijos como se aceita folhetos de propaganda ao andar na rua. Eu sabia - ou queria saber - não me pergunte como ou por que, que nós iríamos dividir até nossa pasta de dente.
Nós fomos nos conhecendo ao acariciar nossas cicatrizes,com o descuido de não se preoculpar com o quanto acabariamos sabendo um do outro, queríamos que a felicidade fosse como um virus que alcança cada lugar de um corpo doente.
Eu tranformei minha casa em nosso lugar seguro e seu peito em castelos de areia. Ele me deu suas metáforas, suas garrafas de gim e sua coleção de histórias africanas. De noite, nós conversávamos sobre sonhos, de costas um para o outro, e nós sempre, sempre discordávamos, mentira, nem sempre. Os lençóis se tornaram tão parecidos com nossa pele que nós paramos de sair e viver.
O amor se tornou um homem forte e grande conosco, terrívelmente prestativo, um bom mentiroso, com grandes olhos e lábios vermelhos. Ele me fez me sentir novo em folha. Eu vi ele se perder , perder contato, nós ouviamos Bethânia em seu gravador de fita e ele me disse que queria ser amado.
Ele me disse que quando eu pensasse que ele tinha me amado tudo que poderia amar, ele ia me amar um pouquinho mais. meu ego e cinismo estavam bem afiados e nós ficávamos dizendo “o que você faria se eu morresse” ou “e se eu adoecesse” ou “voce não gosta de The Smiths” ou “vamos transar agora”.
Nós deixamos nossas impressões digitais por todo meu quarto, café da manhã estava automaticamente pronto, e se fôssemos trazê-lo ao quarto com um carrinho, não usávamos as mãos. poderiamos ter competido pra ver quem tinha os melhores orgasmos, as melhores viagens, as maiores ressacas. E se um dia tivessemos um filho, decidimos que seria culpa do destino.
O nosso amor era nossa redoma. Viver era viver.
Mas aí ele teve que voltar para sua casa, para sua família e seu cachorro chamado Max. E sem ele, está tudo uma bagunça. cortei meu cabelo e pintei minhas unhas de preto. eu abro minha coleção de fotos e nosso passado é eterno, e agora eu sei como retirar cada pedaço de minha história em fatias cada vez mais finas até que só me reste ele.
Me sinto um merda, por não ter sido o suficiente, ou por não ter forças o suficiente, não importa com quem eu fique ou quão bom eu possa ser com meus novos pássaros. Mas é por isso que vivemos, não é? por novos pássaros que nos projetem em um fio, desde o subterrâneo até o ar, até o mundo. Não é? .-.
Meu peito só é vida enquanto dor. Porque é assim que sinto as coisas, e os tons pasteis, e enquanto dói eu sinto estar vivo, mas quando é quente e aconchegante, me sinto parado, me sinto afastado da minha essência.
Essa foi a única explicação para me sentir tão sabotador, me sentir tão canalha a ponto de brincar com minha própria vida, e são nesses desejos de sentir dor no coração que hoje vejo tudo o que fiz.
Em algum ponto decidi que não vou ser mais assim, e aquele calor aconchegante vai me manter aquecido e seguro e eu vou ser feliz de novo.
Taken with instagram
Porque para quem vê de longe pensa que a vida sempre foi de bom grado comigo, não que não tenha sido, sofrimentos sempre há piores, mas meu peso não foi diferente do seu, do teu, ou de qualquer outra que possa mensurar.
Dizem que nessa época as pessoas olham para trás e tentam buscar todas as conquistas pois foi um ano de benção e toda aquele sentimento todo, sabe né? Para mim sempre foi uma data feliz, não mágica, acho que toda essa magia do natal vem junto om a hipocrisia de cada um.
Os sem-tetos sentem mais frio, peculiarmente, sente mais fome também, porque durante o ano todo eles estão apenas bem, obrigado. É mais fácil reservar uma época do ano para um problema recorrente, e ai vem o jeitinho brasileiro de ser.
Mas a parte a isso tudo, sinto que posso olhar para trás e ver que a vida me foi gentil em muitos aspectos, amigos nunca me faltaram, amigos mesmo, daqueles que segurariam a sua mão no hospital.
Minhas resoluções de natal são sempre as mesmas, meu ano foi bom, agradável e fiz de mim se não o melhor que pude, o melhor que me permitir ser, o que para mim já está bom, já que para quem não sabe aonde ir, qualquer lugar está bom.
instagram)
Céu (Taken with instagram)
Taken with instagram
Taken with instagram
What? (Taken with instagram)
Taken with instagram